Ludwig von Mises nasceu em 1881, em território da atual Ucrânia, pertencente naquela altura ao império Austro-Húngaro e foi um dos mais notáveis economistas e filósofos liberais da história, e o principal teórico da Escola Austríaca de Economia do século XX. 

Ainda criança, mudou-se com a sua família para a Áustria. Estudou na Universidade de Viena e foi aí que leu um livro que o inspirou a ser um economista e conduziu-o na direção do livre mercado: Grundsatze der Volkswirtschafslehre [“Princípios de economia”], escrito por Carl Menger. 

Concluiu os seus estudos em 1906 mas continuou a assistir às aulas de outra grande figura da Escola Austríaca, Eugen Von Böhm-Bawerk. Trabalhou como conselheiro económico na Câmara de Comércio e Indústria de Viena e serviu o Império Austro-Húngaro na I Guerra Mundial. 

Em 1934, Mises mudou-se para Genebra, na Suíça, onde viria a conhecer e casar com Margit Serény. Judeu, Mises foi obrigado a fugir com Margit para os Estados Unidos da América, devido ao avanço dos nacionais-socialistas alemães. Viveria do outro lado do Atlântico até à sua morte, em 1973, com 92 anos de idade. Foi professor na Universidade de Nova Iorque desde 1945 até se reformar, em 1969.

Mises escreveu extensivamente e deu inúmeras palestras em defesa do liberalismo clássico. Em 1920, Mises apresentou num artigo o problema do cálculo económico em sistemas socialistas. Mises descreveu a natureza do sistema de preços sob o capitalismo e como os valores subjetivos individuais são traduzidos na informação objetiva necessária para a alocação racional de recursos na sociedade. Mises escreveu que “a atividade económica racional é impossível numa comunidade socialista”. Esta crítica foi sistematizada no seu livro “Socialism: An Economic and Sociological Analysis”, de 1922. 

Os dois primeiros livros de Mises em inglês foram importantes e influentes. “Governo Omnipotente” (1944) foi o primeiro livro a desafiar a visão marxista de que o fascismo e o nazismo foram impostos às suas nações pelas grandes empresas e pela “classe capitalista”. “Burocracia” (1944) foi uma análise insuperável das razões pelas quais a atuação do governo é necessariamente “burocrática” e sofre de todos os males inerentes a essa burocracia.

A sua magnum opus, no entanto, viria a ser “Ação Humana” (1949), o primeiro tratado abrangente sobre teoria económica escrito desde a Primeira Guerra Mundial. Neste, Mises elaborou uma estrutura integrada e massiva de teoria económica em seus próprios princípios dedutivos, designada de Praxeologia, precisamente a ciência da ação humana. Publicado numa época em que economistas e governos em geral eram totalmente devotos do estatismo e do keynesianismo, “Ação Humana” não foi lido pelos economistas. Finalmente, em 1957, Mises publicou sua última grande obra, “Teoria e História”, que, além de refutações do marxismo e do historicismo, expôs as diferenças e funções básicas da teoria e da história na economia, bem como todas as várias disciplinas da ação humana.

A influência de Mises foi notável, considerando a impopularidade das suas visões epistemológicas e políticas. Mises aliava ao génio a intransigência na defesa dos valores em que acreditava. É célebre o episódio contado por Milton Friedman no qual Mises terá gritado para os seus colegas da Mont Pélérin Society “Vocês são um bando de socialistas!”, alegadamente por estes estarem a discutir a distribuição de riqueza e sistemas de impostos progressivos.

Margit usou as próprias palavras que Mises tinha dirigido a Benjamin Anderson para descrever o seu marido: 

“As suas qualidades mais eminentes são a sua honestidade inflexível, a sua sinceridade inesitante e o seu patriotismo inflexível. Ele nunca cedeu. Ele disse sempre livremente o que considerava verdadeiro. Se ele estivesse preparado para suprimir ou mesmo suavizar a sua crítica àquilo que era popular mas detestável, ser-lhe-iam oferecidos os cargos mais influentes. Mas ele nunca se comprometeu. Essa firmeza faz dele um dos personagens mais marcantes deste período da História.”

A vida e obra de Mises oferecem respostas intemporais que ainda hoje se revelam de enorme importância. Saibamos honrar e eternizar o seu legado.